20 de Junio, 2009
Autores falam de estreias escrevendo com (Sant'Anna) e sem (Verissimo) encomenda
A primeira vez
Sérgio Sant’Anna publicou seu primeiro livro em 1969. Luis Fernando Verissimo, em 1973. Hoje em plena flor da meia-idade literária, consagrados como dois dos mais importantes autores brasileiros, ambos vivem experiências novas, em direções opostas: enquanto o carioca escreve pela primeira vez um romance por encomenda, o gaúcho toca o primeiro escrito por iniciativa própria. Juntos na nova edição da revista “Granta” (Alfaguara), que tem como tema a ambição e publica um capítulo de cada livro — os romances ainda estão sendo escritos e não têm título definido — os dois se encontram dia 29 na Casa do Saber, no Rio, para falar sobre as suas ambições como escritores. Nesta entrevista na sede da editora Objetiva, no Cosme Velho, eles conversaram sobre este e outros assuntos.
O GLOBO: Sérgio Sant’Ana está escrevendo pela primeira vez um romance por encomenda, e o Verissimo pela primeira vez sem encomenda. Como isso aconteceu, e como tem sido?
LUIS FERNANDO VERISSIMO: Não tem uma explicação para eu ter resolvido escrever esse livro sem encomenda. Não foi uma história que estivesse dentro de mim e eu precisasse escrever. Ela começou um dia quando pensei numa frase de “Ébrio”, do Vicente Celestino: “Torneime um ébrio,/ na bebida busco esquecer”. Tomando isso emprestado, pensei na frase: “Formei-me em Letras, na bebida busco esquecer”. Comecei a me perguntar “quem é esse cara que diz isso, onde ele trabalha, como vive?”. Foi a partir dessa frase que nasceu a história.
SÉRGIO SANT’ANNA: Fui a Praga para escrever uma história de amor (como parte do projeto Amores Expressos), mas estou escrevendo à minha maneira. Foi bom, tive muitas ideias andando pela cidade. O livro tem um narrador em primeira pessoa que vive uma série de encontros estranhos. Não conseguiria fazer uma história tradicional, uma love story.
VERISSIMO: A encomenda é só um mote a partir do qual você cria com liberdade. O problema é o prazo. Ainda mais no Brasil, onde o escritor acaba trabalhando nas horas vagas, que nem sempre aparecem.
SANT’ANNA: Antes de começar o livro já avisei que não teria prazo. Faço rascunhos exaustivamente, sou um escritor sabidamente lento. Mesmo esse capítulo que está na revista, eu não considero definitivo. É bom poder publicar ainda nesse estágio, porque isso me ajuda a perceber criticamente o texto, percebo onde posso melhorar.
Dá mais prazer escrever por iniciativa própria?
VERISSIMO: Não, não tenho muito prazer ao escrever. É bom depois, quando a gente lê e acha que fez alguma coisa boa. Na hora de produzir é difícil, não é uma coisa que eu faço com naturalidade.
SANT’ANNA: Para mim costumava ser uma tortura. É uma tarefa exigente, dura. Hoje melhorou, mas o que tem me dado mesmo muito prazer, atualmente, é a imaginação. Tenho várias histórias rascunhadas interrompidas por conta desse romance. E lá em Praga me dava um prazer imenso andar pela cidade anotando ideias. A imaginação você solta e ela vai embora.
VERISSIMO: Acho que foi o Norman Mailer que falou que escrever era fácil: é só sentar na máquina de escrever e abrir uma veia (risos).
Vocês vão se encontrar dia 29 para falar sobre suas ambições como escritores. A experimentação está entre elas? Qual o sentido do novo hoje, quando se diz que todas as regras já foram quebradas?
SANT’ANNA: Sou tido com um autor experimental, mas eu gosto de ser lido. Cada livro meu, tirando os mais difíceis, tem uma faixa de leitores de cinco mil pessoas. Então aquilo que é tido como experimental, no meu caso, é também legível. Mas tenho ambições como a de um dia escrever um conto totalmente abstrato. Sou um cara seduzido pela arte que transforma.
VERISSIMO: Tudo que é experimental já foi feito até os anos 1920. É difícil ser experimental e inédito hoje. E quem quer ser lido não pode ser esotérico, há um limite entre o experimental e o legível. Já fiz uma experiência também de uma crônica só com palavras inventadas, com o ritmo e a sonoridade do português. Saiu no jornal e obviamente ninguém entendeu.
SANT’ANNA: Não sei se tudo já foi feito, mas de fato as grandes transformações na arte aconteceram no começo do século XX.
VERISSIMO: Depois do “Finnegans Wake”, o que mais fazer?
SANT’ANNA: Mas o que eu não gosto é quando um autor ou crítico, hoje, defende que a literatura tente simplesmente contar uma história, como se a história não fosse o modo de contá-la. Sempre será o modo de contá-la. Já fui meio vanguardinha radical, vamos dizer assim. Minha ambição na vida hoje é ser uma pessoa aberta, mas quando você vê resenhas assim, fazendo pouco caso de quem está tentando uma experimentação, valorizando apenas a volta à história... Isso me incomoda.
Sant’Anna publicou o primeiro livro em 1969, e Verissimo, em 1973. O que mudou nesse tempo para o autor estreante?
SANT’ANNA: Na época em que comecei a escrever, em Minas, tínhamos uma revista que chamava “Estória”, e que para nós foi importantíssima. Ela recebia atenção do pessoal mais velho. Recebi uma cartinha do Rubem Fonseca, outra do Osman Lins... Hoje em dia, não dá mais para fazer isso. A internet é ótima pela democratização, mas ao mesmo tempo não existe o crivo. Tem muita gente escrevendo.
VERISSIMO: A internet mudou tudo realmente, porque o autor hoje pode ser seu próprio editor. Pode ao mesmo tempo produzir o próprio livro, publicar e divulgar. A gente ainda tem aquela ideia de que o texto respeitável é o que está no papel, mas acho que isso está acabando também.
“Antes de começar o livro já avisei que não teria prazo. Faço rascunhos exaustivamente, sou sabidamente lento" Sérgio Sant’Anna
“Não foi uma história que eu precisasse escrever. Ela começou um dia quando pensei numa frase de ‘Ébrio’, do Vicente Celestino" Luis Fernando Verissimo
O Globo, 20 jun. 2009. envio rui mendes
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Por lobogabriel - 20 de Junio, 2009, 16:58, Categoría: lecturas
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Artesanías Literarias
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la revista que nunca duerme
Amigos lectores y colaboradores:
Las aguas están revueltas en la Argentina. Pretéritos y nuevos epitecántropos erectus deambulan por las calles de Buenos Aires y el interior. Pululan grandes conflictos en todo el mundo resultados de la crisis económica del “sistema” que se impuso para brindar “bienestar” a los trabajadores y clases media de todo el mundo. Cifras últimas: hay mil millones de personas que sufren hambre en todas las naciones, incluidas “las grandes y desarrolladas”. Los países que practican el “apartheid”, el racismo, el dominio sobre otros pueblos, siguen lo más campantes...
¿Puede la literatura, los poetas y escritores, permanecer al margen de las tragedias del género humano? ¿al margen de los crímenes del “aprista” Allan García en Perú? ¿De los separatistas de Bolivia? ¿De los narcotraficantes? ¿De las guerras en Asia y de los sufrimientos del pueblo palestino...? ¿Y seguir escribiendo “ñoñerías” como si no ocurriese nada? No estoy refiriéndome ni recomiendo meter la prosa y la poesía en una barricada con fusiles ametralladoras... Pero la realidad afecta a millones de personas, niños, jóvenes, adultos y ancianos. Política en los partidos, peso tener sensibilidad en nuestros poemas, cuentos, narraciones. La realidad no es un juego infantil, el hambre afecta a más de mil millones de personas, amigos: millones no tienen ocupación, más de 250 millones de niños son explotados como trabajadores y proveedores de sexo para una humanidad enferma definitivamente, cuyos ragos se acercan más a la sociedad primitiva a pesar del auto, la televisión y la computación.
No hablar del tema es meter la cabeza debajo de la arena... Sí, claro, es desagradable, no suena bien, ofusca! Para qué escribir sobre “esas cosas”. Parafraseando a Terencio digamos: “Hombres somos, nada de lo humano nos es ajeno”.
Y como siempre, poemas, cuentos, novedades sobre la música popular argentina, ensayos, reportajes, características de la revista que nunca duerme, como la antigua y angosta calle Corrientes de Buenos Aires.
Y hablando de la urbe “Húmeda, atroz e irrepetible”, anuncio a los estimados lectores que he abierto un nuevo blog consagrado a la Literatura Rioplatense, en especial Arlt y Onetti...pero no sólo!
Invito a los lectores, a quienes les importe los orígenes, las fuentes y las páginas amarillas de una literatura inmortalizada en cuentos, novelas y poesías (incluso ensayos), nombres desplazados, libros inhallables, secciones literarias preocupadas por Folckner, Joice, Henry James, etc , y despreocupados de que en las librerías de Buenos Aires los libros de Onetti refulgen por su ausencia... Dénse una vuelta, que este blog se llenará diariamente:
http://literaturarioplatense.blogspot.com/
Como es habitual, quienes quieran colabrar con poemas, cuentos, ensayos y todo material literario que pueda interesar a los lectores, envíen sus obras, munidas de un brevísimo CV y una foto, a la secretaria de Redacción de Artesanías Literarias:
estermann2004@gmail.com A todos los lectores les sugerimos que comenten las obras publicadas, fruto del esfuerzo de los creadores. Pero no es deber ni obligación, aunque apoya y estimula al creador.
Nuestros Portales:
http://literaturarioplatense.blogspot.com/
www.artesanias.argentina.co.il
www.escritosdeandresaldao.blogspot.com
www.artesaniaenliteraria.blogspot.com
Hasta la próxima,
El Equipo, las Corresponsales y Aldao
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Por lobogabriel - 20 de Junio, 2009, 16:56, Categoría: web
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¿Cómo se ve la contracultura chilena desde la institucionalidad?
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Por Viviana Bravo Botta // 20 de junio de 2009
¿Hasta qué punto la contracultura requiere de la institucionalidad para instalarse? Hablar de arte en Chile implica pensar nuestro circuito. Artistas, historiadores y teóricos del arte, compradores, coleccionistas, galerías y museos generamos en el contexto político, económico y social chileno una precaria cadena de valor.
Hablar de arte en Chile implica pensar nuestro circuito. Artistas, historiadores y teóricos del arte, compradores, coleccionistas, galerías y museos generamos en el contexto político, económico y social chileno una precaria cadena de valor. Las asimetrías en las estrategias de competencia, posicionamiento y negociación de las instituciones estructuran este escenario incluyendo la articulación interna y externa, entre la sociedad civil y el Estado para actuar en este ámbito. Analizando las consignas y documentos institucionales, salta a la vista que la institucionalidad concibe un concepto de cultura sin discutir la contracultura o las prácticas culturales y sociales asistémicas o contrasistémicas.
Particularmente cuando nos acercamos a la institucionalidad relacionada al Estado observamos políticas de promoción de cultura bajo la concepción de explicita mediación económica suplementaria. Dicho de otra forma la institucionalidad-Estado provee de un bien público bajo parámetros “democráticos”, idealmente no discriminatorios de modelos definidos a partir de una “política” de implementación nacional que esencialmente se delimita a la asignación de recursos a creadores a partir de un concurso de proyectos (a los cuales compiten espacios expositivos públicos y privados, organizaciones barriales, artistas profesionales y amateurs), y el segundo escenario, actividades de difusión y acceso que reúne una variada paleta de artistas de la industria musical, que permite a los beneficiarios de sectores vulnerables participar de “fiestas ciudadanas” en parques, canchas o plazas regionales.
En este contexto referirme como artista a la relación institucionalidad/contracultura implica analizar el problema, no desde la naturaleza teórica, sino mas bien de la experiencia práctica. Las principales cuestiones en este marco relacional derivan de: a) las políticas estatales para la cultura, cuyo accionar define un plan programático gubernamental que opera bajo un principio ideológico subsidiario, b) una política sectorial, centralmente marcada por lineamientos temporales, determinadas por cada gobierno, carentes de un plan de desarrollo nacional a largo plazo que comprenda el acceso a la cultura por sobre las diferencias sociales y económicas, c) la inexistencia de fundaciones independientes que aporten una reordenación o tensión en el campo cultural, lo que implica que el Estado, ocupe un papel protagónico como único financista, d) la aún débil participación organizada de los actores culturales, e) la ausencia de movimiento contracultural cimentado, que observe, cuestione y proponga discursos y prácticas libres de una relación de dependencia económica, ideológica y, en muchos casos, creativa.
Cada uno de los problemas indicados atañe el estado de las escenas “independientes” que son quienes podrían presentar una manifestación contracultural. A primera vista, estas iniciativas representan actividades de organizaciones locales y grupos de artistas visuales, que han visitado alguna institución de educación superior, que manejan los dispositivos formales. Observamos que buscan posicionar prácticas artísticas afines a tres dinámicas: 1.- Formalmente carecen de financiamiento estable y de estrategias de autofinanciamiento que permita su autonomía, 2.- Entre sus principios plantean la producción local como centro de difusión, un fuerte discurso regionalista; y 3.- Una muy baja conectividad, transferencia de conocimientos, experiencias o programa de cooperación entre sí.
Con estas condiciones, ¿Es posible sostener un discurso contracultural que critique el sistema hegemónico centralista? Esta pregunta se responde al observar la estructura que mantienen los espacios expositivos públicos y privados, independientes o dependientes del Estado: la subordinación de estos espacios, directa o indirectamente, deviene del rol que juegan los artistas en el mantenimiento del sistema. Es decir, el papel informal de la producción artística se manifiesta como el elemento “triangulador” de los recursos y, por consecuencia, de la acción en las escenas. A partir de una cadena de dependencia, en la cual los artistas, las obras y los espacios constituyen una red de “cooperación” con los espacios e instituciones culturales haciendo que los fondos del Estado “circulen” por los artistas, los espacios a cambio mantienen una programación que se constituye con obras financiadas por el Estado. La subordinación es evidente: los espacios y artistas “independientes” se supeditan a los financiamientos directos o indirectos de la administración cultural. Cada proyecto en Chile se realiza de acuerdo a los ritmos de la producción cultural que se estructuran a partir de los ritmos burocráticos de entrega de fondos. Un interesante ejemplo de esto sería revisar el calendario de exposiciones, conferencias y lanzamientos de catálogos y libros en relación a la entrega de recursos estatales, pues más de alguna sorpresa va a saltar delante de nuestros ojos.
Bajo esta premisa el orden y desorden, que constituye la difusa línea que diferencia acción hegemónica y espacios “alternativos”, se desarrolla en la dicotomía entre la alta cultura y la cultura popular. Este caso es especialmente marcado al contemplar las dificultades que presenta el desarrollo de la escena cultural a nivel regional, en un país fragmentado social, política y espacialmente. De esta forma la institucionalidad y el respectivo anillo complementario de la sociedad civil, actor de la “cultural oficial”, entreteje ineludiblemente un conjunto de discursos y prácticas coercitivas.
La contracultura no es un problema para la institucionalidad, el problema de la contracultura queda a cargo de los artistas y productores independientes y organizaciones que buscan sobrevivir a un espacio donde falta el financiamiento y donde las redes sociales cruzan las redes profesionales. En este sentido, se encuentran bajo un paradigma relacional, donde la cultura oficial se nos muestra multidimensionalmente.
Posiblemente, la contrataparte contracultural-antagónica se desarrolla en un lugar existente pero aún invisible, vinculado a los nuevos medios de creación y comunicación que posibilitan nuevas formas, discursos y prácticas, ofreciendo una reversión de la dicotomía clásica institucionalidad/contracultura en el fragmentado, pero atento espacio público.
Las preguntas que quedarían por dilucidar incluirían ¿como será su influencia en una sociedad en el cual no existe el concepto de comunidad?, ¿bajo qué capacidades creativas y de dominio público se presentará su antagonismo? ¿cómo visualizará su producción contracultural cuando el bienestar común ha desaparecido de las reivindicaciones sociales y culturales? Valparaíso, 2 de Mayo 2009
Viviana Bravo Botta. Artista nacida en 1974 en Santiago de Chile. Actualmente junto a su labor de artista y docente, desarrolla proyectos de integración entre arte, arquitectura y diseño. Vive y trabaja en Santiago de Chile. Este texto fue escrito por encargo de ACA (Arte Contemporáneo Asociado, gremio de los Artistas Contemporáneos de Chile) en ACAVOZ, Edición especial lanzada en ArteBA 2009/ 22 al 26 de Mayo. Buenos Aires, Argentina bajo el titulo “Institucionalidad/Contracultura”. En wokitoki se publica el texto con el título original, que es la pregunta enviada por el gremio.
envio hugo ojeda
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Por lobogabriel - 20 de Junio, 2009, 16:54, Categoría: lecturas
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Todavía viendo a Tencha
Por Ariel Dorfman
La primera vez que vi a Tencha Bussi de Allende –la primera vez de veras, que de veras la vi, que verdaderamente comprendí quién era ella– fue en Roma, un día incierto de marzo de 1974. Por cierto que mis ojos la habían divisado antes, en múltiples ocasiones: en su casa en Santiago, ya que era amigo de juventud de sus hijas Isabel y Taty; en la Moneda, cuando trabajaba yo con Allende y ella llevaba a cabo las funciones oficiales de primera dama; y durante las marchas y los mítines y las luchas de la revolución chilena. Pero ésa era otra Tencha, la de Chile en democracia, la de un Chile pacífico, la de un Chile donde su marido estaba vivo y su país avanzaba hacia la justicia y la libertad.
La Tencha que conocí en Roma, en el Tribunal Russell que había organizado Lelio Basso seis meses después del golpe de septiembre de 1973, era una persona enteramente diferente. El dolor y la pérdida, lejos de haberla destruido, la habían agigantado. No sé en qué momento ocurrió la transformación. Tal vez fue el instante en que tuvo que enterrar a su esposo sin que la dejaran ver su rostro. Tal vez fue el instante en que se subió a un avión enviado por el presidente de México, partiendo a un exilio del que no volvería en muchos años y juró que no retornaría derrotada. Tal vez fue cuando se dio cuenta de que, ante la ausencia de Allende, era ella la que encarnaría para tantos la esperanza de un Chile ultrajado por Pinochet, era ella la que iba a tener que constituirse en el sitio de la unidad de la dispersa resistencia chilena, era ella la que iba a tener que representar ante el mundo un pueblo violado.
Estaba por cumplir ella los sesenta y se le podría haber perdonado que quisiera dedicar las próximas décadas de su existencia a los nietos, que optara por alguna tranquilidad ante tanta muerte y tanta noticia trágica y tanta vesanía. Pero digamos las cosas como son, como fueron: el país se encontraba huérfano, el país estaba de duelo, el país podía desaparecer como si fuera un secuestrado en la noche. Y ella no lo iba a permitir.
Habló esa tarde en Roma con una voz que casi no reconocí. No era tan sólo la sencillez, el pragmatismo, la clarividencia. Era sobre todo su enorme dignidad la que me llamó la atención, la certeza de que adentro de su garganta y desde adentro de sus labios eran millones los que hablaban, como serían millones quienes la escucharían.
Me atrevo a decir que nos hicimos amigos. La volví a ver y a trabajar con ella en Ciudad de México, en París, en Amsterdam, en Londres, una y otra vez, y nunca la vi cejar, y nunca la vi vacilar, y nunca la vi olvidar, y nunca la vi dejar de buscar la justicia para los más necesitados, y finalmente llegó ese día en 1988, cuando pudimos darle la bienvenida a un Chile donde se llevaba a cabo el plebiscito y ella retornó para integrarse a la campaña por el No a Pinochet que iba a terminar eventualmente con la dictadura, y de nuevo estaba la Tencha ahí, una y otra vez, en la lenta búsqueda de la democracia, y llegó el día en que pudo ella, con el pueblo resurrecto, por fin enterrar a Salvador Allende, y ahí estaba Tencha cuando hacía falta una voz de cordura y hacía falta una voz de paciencia y hacía falta también una voz de absoluta convicción de que era posible un mundo diferente, siempre, siempre estaba nuestra Tencha durante estos años tan difíciles y complicados de nuestra transición eterna.
¿Con qué quedarme, entonces, de los múltiples recuerdos y sonrisas y epopeyas y lágrimas y viajes, con qué quedarme, ahora que me cuenta Julio Scherer desde México que Tencha ha fallecido? Con esto: cada vez que nos encontrábamos, lo primero que hacía Tencha –fuera cual fuese la ocasión, aunque el mundo se venía abajo y había que preparar un discurso o enfrentar alguna emergencia impostergable–, en cada oportunidad, lo primero que hacía era preguntarme por Angélica y mis hijos. No era tan sólo, creo yo, porque le importaba de veras, no sólo porque había visto a mi Rodrigo ir creciendo en cada visita a cada ciudad, no sólo porque estuvo con Angélica cuando mi mujer hizo huelga de hambre por los desaparecidos, no sólo porque Tencha conoció a nuestro pequeño Joaquín a los dos meses de haber nacido en una noche fría en el destierro de Holanda. Detrás de esa pregunta había, creo yo, algo más profundo. Ella, que había perdido a su esposo y su patria y hasta la paz de su vejez, estaba, creo yo, enviando un mensaje secreto, detrás de esa pregunta se me ocurre que me estaba contando, como se lo fue susurrando a todos los otros exiliados y todos los que sufrían y luchaban en Chile, nos estaba asegurando que éramos todos una sola gran familia, es lo que quiero recordar ahora que se ha ido esa mujer prodigiosa, ella nos estaba contando que en este mundo desolado, tan lleno de distancias y pérdidas, siempre tendríamos a la Tencha, la madre y hermana y abuela de un Chile que no ha muerto.
* El último libro de Ariel Dorfman es Americanos. Los pasos de Murieta.
www.pagina12.com.ar | República Argentina
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Por lobogabriel - 20 de Junio, 2009, 16:52, Categoría: lecturas
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samuel trigueros
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ELLOS QUE NO SON NOSOTROS
I
Ellos son el origen del cáncer
los del traje cosido con hormigas
abotonado con formol
los de la dentadura mecánica y voraz
los que redactan publican y reparten la sombra y el mastín
las babas de las prohibiciones
los que secuestran la ternura
y la exhiben sin brazos
sin abrazos
cicatrizada de impuesto en las vitrinas de la sangre
los que en lugar del corazón
cargan un catafalco preñado de cadáveres
los que masacran la esperanza
hollan la luz cortan los jardines
y nos entregan un orbe de basuras.
II
Ellos son
la reverberación fatal del cáncer
los dueños de la fábrica inhumana
los productores del insomnio y el cansancio
los demiurgos del fondo de los pozos
los reinventores del vómito y del hongo
los orondos sepultureros de la patria
los antisoles de la década perdida
los susceptibles alérgicos a todas las verdades
los cuervos adiestrados
en la potencia oscura de la fiebre
mensajeros del cierzo
heraldos de la miasma
reptiles de la muerte
sobre la blanca pared del sueño y de la historia.
III
Ellos son la suprema esencia del cáncer
los prisioneros del cromo y del estilo
los perfumistas de la soledad
los del tacto enajenado
los que meten la mano en medio de los pájaros
y engendran un piano de inmundicias
patronos de Caronte
espuma amarga del tedio y del olvido
pirómanos del alba
los tristemente siniestros postergadores de la dignidad
los soberbios
los oficiantes del quinqué apagado
los propietarios de la intensidad del frío
los publicistas de la semilla estéril y el Tratado
y su económico gendarme
los parceleros del crematorio de las almas
los del cerebro político baldío
donde copulan entre spots de aullidos
el neopoder y la mentira.
IV
Ellos son la llagada corona del cáncer
el círculo de pústulas
servido en cucharón de plata
los invasores tullidos de la democracia
los enquistados en la pesadilla ciudadana
los administradores del pentotal y la picana
los despiadados amantes de sí mismos
las tarántulas inciviles
anticiviles
rodadoras de un sol momificado
la diana pútrida a la que apunta el rayo de palabras
y el puño acumulado de las lágrimas
y la ira sencilla
natural
constante
inexorable.
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Por lobogabriel - 20 de Junio, 2009, 16:50, Categoría: poesia
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Madrid, recital de poesía
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EDUARDO FARIÑA POVEDA. JUAN SOROS. EDUARDO REZZANO. MARCOS CANTELI, ANA GORRIA. OSCAR PIROT
Miércoles 24 de junio, 20 h
Eduardo Fariña Poveda ( Santiago de Chile, 1982)- En Chile realizó estudios de Magisterio. Es colaborador habitual en diversas revistas de crítica literaria tales como 7de7, La Tormenta en un Vaso y Eclipse, de la Universidad de Zaragoza. Fue co-director de fanzine literario La Caja Nocturna (2004-2008), con el cual realizó además el ciclo de lecturas El Sótano de Dios, convocando a diversos poetas españoles e hispanoamericanos residentes en España. Es miembro del comité organizador del encuentro literario de Jóvenes escritores en español La Piedra en el Charco, celebrado por primera vez en Teruel en 2008. Tiene un poemario Cuestión de Temperatura (Eclipsados, 2009, en prensa) y una antología de poesía hispanoamericana Cambio Climático (Eclipsados, 2009, en prensa). Actualmente estudia Periodismo en la Universidad de Zaragoza.
Juan Soros ( Santiago de Chile, 1975)-Es Ingeniero Civil Industrial de la Pontificia Universidad Católica , tiene un Diploma en Estudios Griegos en la Universidad de Chile, un Máster en Estudios Literarios por la Universidad Complutense de Madrid y es candidato a doctor por la misma universidad con el apoyo de una beca del Consejo Nacional del Libro y la Lectura de Chile. Actualmente reside en Madrid. En el año 2000 recibe el premio de poesía en los Juegos Literarios Gabriela Mistral de la Ilustre Municipalidad de Santiago. En 2002 publica su primer libro, Tanatorio en Al Margen Editores, Santiago de Chile. Sus poemas se han publicado en diversas antologías en formato de libro, CD y en línea entre las que destaca Cantares, nuevas voces de la poesía chilena, editada por Raúl Zurita (Santiago, LOM, 2004). En 2005 recibe el premio del Consejo Nacional del Libro y la Lectura de Chile por su segundo libro, Cineraria, del género Poesía en la categoría de Obra Inédita, publicado por Ediciones Amargord de Madrid , julio de 2008. Realiza recitales-performance de poesía con el colectivo diosloscría. Recientemente ha participado en el encuentro de jóvenes autores en español, La piedra en el charco, en Teruel a partir de su encuentro con el poeta y crítico Eduardo Milán. En paralelo a la poesía participa en un laboratorio de investigación teatral en torno a la dramaturgia del cuerpo originado en un taller de Marco Antonio de la Parra realizado en Madrid en 2007. Ha realizado un cortometraje, Saunterer (2006), y los guiones de los cortos Auto e Imitatio (2008), dirigidos por Patricia Rivera.
Eduardo Rezzano (La Plata, Argentina 1968)-Eduardo Rezzano nace en 1968 en la ciudad de La Plata, República Argentina. En 1990 recibe el 1er Premio de Teatro en el Concurso Producción Artística Universidad Nacional de la Plata y en 1993, el 3er Premio para menores de 25 años en el Concurso Nacional de Poesía Municipalidad Tandil. Publicó los libros de poesía Targo, ciudad y después ( el ángel de la fragua, La Plata, 1987), Ningún lugar (Ediciones del Canto Rodado, Mendoza, 1999) y Gato Barcino ( Editorial Lumen , Barcelona 2006). Fue incluido en las antologías poéticas Nacer. Poemas para una vida que empieza ( Editorial Lumen , Barcelona, 2005), Madrid: una ciudad muchas voces(ONG Promoviendo, Madrid 2009) y Cambios Climáticos (Editorial Eclipsados, Zaragoza, de próxima aparición). Actualmente tiene en preparación los libros de poesía no fábulas (junto a la artista plástica Peca), que publicará Editorial Vox en Argentina, y Caligrafía, que publicará Editorial Lumen en España. También ha colaborado con poemas y artículos en diversos medios electrónicos (Poesía Digital, Pata de Gallo , El águila ediciones, etc.) y ha sido columnista del diario Diagonales.
Marcos Canteli (Bimenes, Asturias, 1974) -Es autor de los siguientes libros de poesía: Reunión (Barcelona: Icaria, 1999), enjambre (Madrid: Bartleby Editores, 2003) y su sombrío (XXXI Premio de Poesía Ciudad de Burgos; Barcelona: DVD Ediciones, 2005). Ha colaborado con diversos artistas plásticos como Bernardo Sanjurjo, Bea triz Gutiérrez o Israel de la Peña. Recientemente Bartleby Editores editó su traducción del libro Pieces (Pedazos) del poeta norteamericano Robert Creeley. En la actualidad coordina la revista electrónica http://www.7de7.net/
Ana Gorría (Barcelona, 1979) -Es una poeta española en lengua castellana, licenciada en Filología Hispánica por la Universidad Complutense de Madrid. Su obra se encuentra presente en diversas antologías nacionales. Ejerce la crítica literaria en La tormenta en un vaso, en la Revista 7 de 7 y forma parte del consejo editorial de la revista Silencios. Ha sido estudiada como miembro de la Generación Poética del 2000. Su obra aparece en diversos recuentos y antologías de la poesía reciente.
Oscar Pirot ( Ciudad de México, 1979)-Realizó estudios en Comunicación en la Universidad del Valle de México y en la Universidad Europea de Madrid. Ha publicado el poemario Memoria del agua (Editorial Amarillo, México, 2005). Actualmente estudia la licenciatura de Filología Francesa en la Universidad Complutense de Madrid. Ha participado en encuentros literarios como La piedra en el charco (Teruel, 2008) y Madrid: una ciudad muchas voces (Madrid, 2009). Ha colaborado con poemas y ensayos en diversos blogs y revistas. Reside en España desde el 2002.
Entrada libre y gratuita hasta completar aforo.

Centro de Arte Moderno
exposiciones, recitales, conciertos, conferencias,presentaciones, proyecciones, cursos, talleres
Galileo, 52-28015 Madrid-
Metro: Línea 2: Quevedo-Líneas 3, 4 y 6: Argüelles – Moncloa-Línea 7: Islas Filipinas Autobuses: 1-2-202-3-12-16-21-37-40-44-46-61-C1-C2-82-83-G-A-132-133-147-149-160-161-162-www.libreriadelcentro.net
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Por lobogabriel - 20 de Junio, 2009, 16:44, Categoría: agenda isla negra
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fallecio el poeta Raúl Orozco
Lamentablemente ayer miércoles 17 de junio, nuestro compañero y amigo o conocido poeta Raúl Orozco falleció en Managua, víctima de un fulminante cáncer. Sus funerales fueron ayer viernes 18. Se registra a Raúl como una de las voces más logradas en la poesía nicaragüense. Quien lo conoció y tuvo afecto por este poeta sabe lo que significa una pérdida de esta naturaleza. Los invito a compartir esta nota de duelo literario. Fraternalmente. Carlos Calero |
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Por lobogabriel - 20 de Junio, 2009, 6:05, Categoría: periodico
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